H I S T O R I C I S M O S
A História aponta na direção do socialismo ? Ou está à caminho do
pleno liberalismo ? Estas parecem ser as convicções subliminares
sempre presentes em nossas diversas posições ideológicas.
À isso ofereço a tese de que, ao longo da História, assiste-se a um
movimento dialético, uma tendencial alternância entre ambos. A
História Humana não é uma transição de um coletivismo tribal para o
gradual desabrochar da consciência e do agir individual, à la Hegel.
Também não é, ao contrário, uma progressiva massificação,
restringindo o raio de ação e da consciência individual a um foro
apenas interno. O Capitalismo, ou seja, o livre mercado, não nasceu
nos Tempos Modernos e no Mundo Ocidental, conforme nossos manuais
escolares.
A interferência estatal igualmente não é fenômeno recente - ou Moderno
como comumente se diz. A espontânea liberdade de comprar e vender,
de contratar serviços e negociar, de barganhar na troca de valores,
sempre e em toda parte existiram. Da rústica aldeia às capitais
imperiais. E a tentação e tentativas, de regular e proibir, de
fomentar e direcionar essa espontânea atividade humana, também
sempre foi a função por excelência, típica e manifesta do poder
político.
Em fórmula reduzida teríamos : Mercado e Política sempre coexistiram e se
alternaram em predominância. Ambos em nome de interesses e valores.
A Liberdade em nome da Prosperidade, do estímulo competitivo, da
invenção individual, do Progresso. O controle político, em nome do
equilíbrio sistêmico, da harmonia cooperativa, da razão (ainda que
pretensa) e da Ordem.
A História não evolui em direção ao socialismo e igualmente não eclodirá na
total liberdade de empreender. Os dois valores-forças são
complementares, se compensam, se espelham, se alternam.
No entanto... o impulso originário, o primeiro movimento, sempre cabe ao interesse
próprio, propulsor e criativo, que se manifestará na livre avaliação
e troca de valores Já a interferência, que refreia e condiciona tal
impulso, é uma antítese, movimento secundário, introduzidos
por terceiros que se apresentam como representantes do Sistema no
qual os agentes estão inseridos. Motor e freio talvez simbolizem tal
polaridade. Melhor ainda; veículo e código de trânsito. Enquanto a
Tese é movimento espontâneo, natural e universal, a
Antítese é artificio condicionado culturalmente, no tempo e
no espaço. O objetivo deste último apresenta-se como o BEM-COMUM,
seja de uma determinada Polis , seja da Humanidade em geral. Mas
nesse discurso se intrometem infinitas possibilidades de camuflagens
e fraudes, de máscaras e seduções, de aparências e engodos. É o
reino da Política. Já o Mercado, enquanto tal, como a criança, não
sabe mentir.
A tese (mercado), subsiste sem a antítese (política), mas não esta
sem aquela. A desculpa de que a sociedade se auto destroi sem o
Estado é improvável. Que a Política limite-se a ser a aperfeiçoadora
do Mercado, como propõem Locke. O defensores do equilíbrio do
sistema - que chamam de Justiça Social - com freqüência mal escondem
sua vontade de assumir o comando, substituído os critérios do
mercado ( que são os da coletividade), pelos seus próprios
critérios.
Entre o livre jogo de interesses, com seus resultados ainda que assimétricos, e
uma ordem superveniente, ainda que legítima, a primazia cabe à
primeira.
Lehmann |